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Um velejo inesquecível
Por: Izabela Valesin*
Foto: Arquivo Pessoal
Publicado em: 09/2006
A primeira viagem que fiz para Maui, no Havaí para fazer treinos de kite foi entre julho e agosto de 2004. Adorei a trip: paisagens alucinantes, cachoeiras e velejo todos os dias com vento muuuuito forte, cerca de 30/35 nós. Mas os meses eram de verão, época de ventos fortes em Maui, e não de ondas. E o mar estava quase completamente liso. Não era o Havaí que eu imaginava...
No início de 2005, comecei a fazer planos para passar uma temporada longa de treinos fora do país. Queria ficar uns seis meses fora. O objetivo era aprender uma outra língua, conviver com outra cultura e, claro, velejar muito! Como a experiência que havia tido em Maui no ano anterior tinha sido muito boa, resolvi repetir a dose. Arrumei minhas malas e o passaporte, e lá fui eu.
A viagem atrasou um pouco e, ao invés de chegar no início da temporada de ventos fortes - de maio a setembro - só consegui chegar no começo do inverno, época em que o vento fica um pouco mais fraco e as ondas sobem. No final das contas, até achei bom as coisas terem acontecido assim, pois sempre tive muita curiosidade em ver as tão famosas e temidas big waves do Havaí.
Quando cheguei lá, meus primeiros velejos foram em mar completamente flat, mas a galera local já me alertava: "A qualquer momento o mar pode subir, e aí você vai ver boas ondas em todo o North Shore!" A minha curiosidade ia aumentando a cada dia. Eu só ficava imaginando como seria a paisagem e o velejo naquelas praias quando o mar começasse a subir. Não via a hora de tirar as teias de aranha da minha prancha de onda.
Uma bela noite, enquanto tinha o meu tão merecido descanso, tive um sonho: estava em casa tomando café da manhã e, de repente, quando olhei pela janela, vi o mar gigante, com altas ondas e toda a galera correndo para a praia com as pranchas de baixo do braço felizes da vida. Quando acordei, pensei: “nossa, que sonho bom, leve, com energia boa...” Tomei meu café da manhã, coloquei meus equipamentos no carro e saí rumo à kite beach (pico de velejo mais conhecido de Maui). Quando virei a esquina de casa, vi um lindo e enorme arco-íris no horizonte, e do meu lado direito ondas, waves, olas e grandes! Que visual lindo!
Chegando na kite beach, nem parecia a mesma praia em que eu havia velejado no dia anterior. Para delírio dos velejadores, ondas quebrando em todos os reefs. Os kitesurfers alucinados correndo para a água com as pranchinhas de onda. O vento estava bem forte (uns 30 knots). Entrei com o meu menor equipamento: kite 06 com linhas de 20m (minúsculo). Nunca fiz um treino tão alegre e divertido como aquele. Só saí da água umas três horas depois com o meu corpo completamente moído. Este foi com certeza um velejo inesquecível!
* Isabela Valezin tem 25 anos, pratica kitesurf há cinco e acumula títulos, como o vice-campeonato brasileiro de 2003. |