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Snowboard de todo Terreno
Por: Felipe Motta
Fotos: Arquivo Pessoal
Publicado em: 05/2007
O snowboard tem vivido nos últimos quatro, cinco anos uma renovação em relação ao tipo de terreno onde é praticado. Não é mais somente em montanhas intocadas cobertas de neve virgem que o snowboard é encontrado. Cada vez mais as cidades e os ambientes urbanos onde se neva no inverno têm sido procurados por atletas na constante evolução deste esporte.
Mas o que exatamente é o snowboard praticado nas cidades, e de onde veio essa idéia?
Seguindo o skate, o snowboard teve uma ressurgência das manobras praticadas em corrimão, bordas e paredes. É o street do skate sendo reinterpretado pelos snowboarders: boardslides, 50-50s, lipslides e wallrides nos mais variados lugares de cidades com intenso frio durante o inverno. A presença de diferentes elementos urbanos é interessante, pois deixa as fotos e vídeos diferentes do usual numa imagem de snow: novas cores, formatos, e muitas fotos noturnas (com o auxílio de iluminação artificial) dão uma cara muito parecida ao skate para o esporte.
Eu continuo preferindo o snowboard praticado com abundância de neve virgem, a tão falada “powder”, mas gosto de ver a variedade de manobras e terrenos no esporte. O snowboard urbano não é nada prático, pois com os pés presos num lugar razoavelmente plano como uma cidade, não se chega muito longe. Mas tiro o chapéu para quem está suando (e se quebrando!) para progredir o esporte.
Outro aspecto interessante do snowboard nas ruas é que possibilitou que diversas pessoas que não têm condições de estar numa estação de esqui (pelo preço ou localização), pratiquem e aprendam sobre o esporte. O tempo de aprendizado destas manobras de rua também é mais reduzido que o normal. Assim, tem muita gente nova aparecendo no cenário, o que é sempre legal.
Agora o impressionante é ver os vídeos de quando tudo isso dá errado: para ser “legit”, os obstáculos de rua só podem ter neve na entrada e na saída, ou seja, no meio do percurso o snowboarder está com os pés presos na prancha sobre degraus de concreto sem nada em cima! Qualquer erro é fatal, e não ter os pés soltos como no skate impede que o atleta tente sair “correndo” de uma vaca... Dói até na alma...
Pouquíssimos brasileiros têm a chance (e habilidade) de fazer isso. Destaque para Gustavo Bauer, de Florianópolis, que tem passado diversos invernos do hemisfério norte na região de Lake Tahoe, na Califórnia, e já tem boas filmagens suas guardadas.
É isso aí: andar de snow na rua não é para qualquer um, mas hoje em dia diversas estações de primeiro nível ao redor do mundo já existem nos snow parks (pense numa pista de skate dentro da estação; este é o conceito) os mais variados tipos de corrimãos, bordas, caixotes, paredes e mesas de pic-nic pra você tentar as mais variadas manobras de maneira segura e controlada. Daí até ir para rua é uma questão do apetite de cada um para o risco. Não se esqueça de usar SEMPRE o capacete. Mesmo na estação de esqui estes obstáculos são feitos de aço, madeira e outros materiais duros. Sua cabeça agradece!
* Felipe Motta é snowboarder há 14 anos, pentacampeão brasileiro profissional de freestyle e campeão sulamericano overall 2002 e 2003. Hoje, aos 30 anos, ele divide sua rotina de treinos com a superintendência da Quiksilver.
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