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FABIANA GOMES
Aos 25 anos, a paulista Fabiana Gomes é destaque no skate longboard de São Paulo. Campeã do 2º Campeonato Psychohill, aqui ela conta como divide seu tempo entre o trabalho, a faculdade e os treinos

Por Gabriela Borges
Fotos: Thiago Borges
Publicado em: 04/2003

Como é o seu dia a dia? Você trabalha e estuda?
Eu estou cursando o terceiro ano de educação física na faculdade e dou aula de ginástica, musculação e natação em uma academia. No final de semana eu treino. Gosto bastante de andar na ladeira Alves Cruz, no bairro Sumaré, aqui em São Paulo.

Como você começou a andar de skate longboard?
A uns dois anos atrás eu vi um skate em uma loja, curti o shape e me identifiquei já que eu surfei durante nove anos. Mas eu nem sabia que dava para fazer manobra no chão. Para mim, era só andar em pé mesmo, que nem o surf. Então eu comprei o long e fui para a ladeira P2, no Morumbi. Comecei a freqüentar e ver o pessoal fazendo as manobras de chão com joelheira e luva, me empolguei e comecei a andar. Na primeira manobra que eu aprendi, tanto é que não tem nome, coloquei o meu estilo, me atirei e ela acabou saindo.

Você já participa de campeonatos?
Eu já participei de uns dez campeonatos. O primeiro foi na ladeira Barriga da Velha, na zona norte de São Paulo. Eu não ia entrar, não me ligava em competir, só em me divertir mesmo. O meu namorado que me incentivou, me inscreveu e eu acabei ficando em segundo lugar. Achei legal, participei de mais alguns e fui ficando em primeiro, terceiro, segundo. Mas eu curto mais andar com o pessoal na rua, me divertir no final de semana. Só que quando eu participo de um campeonato, acabo entrando no clima da competição.

Rola uma dificuldade maior para conseguir patrocínio por você ser mulher e andar de long?
Rola, porque é diferente de um esporte super divulgado e que todo mundo conhece. Eu ando há dois anos nunca tive patrocínio e apoio, nada. Sempre foi na raça. Só que quando você começa a freqüentar encontros, conhecer o pessoal, eles vão vendo como você anda e as coisas começam a fluir, tanto é que eu só consegui patrocínio no começo desse ano.

Como você vê o crescimento do esporte feminino aqui no Brasil?
Por enquanto, eu vejo esse crescimento muito devagar, até porque as meninas não se interessam. Tem muita garota que vem em um campeonato e no segundo já não aparece mais. Eu acho que o esporte deveria estar mais na mídia, que nem o surf. Talvez daqui uns anos pode ser que esteja, mas eu acho vai demorar um pouco até o long conquistar o seu espaço.

Quais são os seus planos para esse ano?
Eu não penso muito nisso, acho que se tiver que rolar alguma coisa vai rolar. Como esse patrocínio que eu consegui, eu nunca fui atrás e acabou acontecendo. Eu deixo as coisas acontecerem.

E planos para o futuro?
Meu sonho é terminar a faculdade, me dar bem profissionalmente e formar uma família. Eu gostaria muito que o long fosse mais divulgado e que outras meninas começassem a praticar.

Alguma dica para a garota que quer começar a andar de long?
Quem sente dificuldade, mas tem muita força de vontade, eu acho que vale procurar uma escolinha. Também é bom se a pessoa já praticar algum esporte, tipo o surf ou o skate, por que dá uma base legal. Mas, com certeza, para começar no skate tem que ser de equipamento. Não tem jseito, o skate pega muita velocidade. Uma vez, logo que eu comecei, fui me atirar na ladeira sem nada e eu não tinha noção. Cai e fiquei dois meses quebrada. Você pode se ralar toda e a cicatriz não sair mais.

 

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