|
 |
|
Silvana
Lima , aos 19
anos,
a mais jovem
campeã
brasileira
da história |
SILVANA LIMA
Silvana Lima começou a pegar onda aos sete anos no Ceará.
Hoje, ela mora no Rio de Janeiro e é um dos maiores destaques no
surf feminino. Aos 19 anos, acaba de ganhar o SuperSurf 2004 e é
atual Campeã Brasileira. Conheça um pouco mais da história
da surfista que é um orgulho brasileiro
Por: Josie
Moraes
Fotos: Nilton Santos/SuperSurf
Publicado em: 10/2004
Como
foi o começo da sua carreira?
O que te incentivou?
Eu comecei a
pegar onda aos sete anos. Meus irmãos já surfavam e me incentivaram.
Eu morava em frente à praia, no Ceará, e não tinha
nada para fazer, então eu comecei a pegar onda.
Por
que o surf te atraiu?
Já tinha muita
paixão, via sempre os meninos na praia. Eu surfo por coração,
é a minha vida mesmo.
 |
|
Durante
a 1ª Etapa do SuperSurf
2004, em Florianópolis (SC) |
|
Quando
você decidiu encarar o esporte como profissão?
Foi em 2002. Eu morava
no Ceará e lá é meio fraco para patrocínio
para poder viajar e eu não tinha condições de bancar.
Eu conhecia o pessoal que morava no Rio de Janeiro, como o Luciano Lima,
que me deu uma força e dizia para todo mundo que tinha uma menina
no Ceará que surfava muito bem e pegava altas ondas. Foi então
começaram a se interessar por mim. Minha mãe sofreu porque
sou a mais nova da família, mas incentivou para vir morar no Rio,
porque viu que era o que eu queria.
Como conseguiu patrocínio?
Vim para o Rio e aí
começaram a aparecer patrocínios de prancha. Sempre via
menino surfando, meu estilo é mais radical até por causa
disso, nunca via menina surfando como eu. Fui pegando o estilo de homem
e aí começaram a se interessar por mim.
Qual
é o momento mais importante de sua carreira?
Eu penso sempre em quando
eu estava no Ceará, sem prancha. Depois quando vim para o Rio.
Sinto que eu estou no caminho certo. As coisas estão virando pra
mim e tenho que aproveitar muito isso. Eu jogava futebol, quase larguei
o surf pelo futebol, mas apareceu a oportunidade de vir para o Rio, nessa
época. Aí Deus mostrou que meu caminho é mesmo o
surf.
|
 |
"Sempre via menino surfando,
meu estilo é mais radical
até
por
causa disso" |
O
que você gosta de fazer quando não está surfando?
Sair com os amigos, fazer
festinhas. Moro com a garotada do surf em um alojamento com um pessoal
do Ceará. Rola sempre rodízio de pizza e churrasco.
Você
em vontade de voltar a morar no Ceará?
Não, se não
for para eu morar no Rio, eu pretendo morar fora, talvez na Austrália.
Quem
são os surfistas que você admira.
No brasileiro, eu cito
a molecada que vem da nova geração. Pablo Paulino, por exemplo,
que manda bem e é novinho, tem só 17 anos. O Mineirinho
[Adriano de Souza] é um espelho grande. Eu o conheço faz
tempo. Ele surfa desde pequeno é muito profissional. São
eles que me dão força de vontade para crescer. Além
do grande espelho que é o Kelly Slater. Conheci o Kelly no QS.
Tenho foto com ele e tudo. Falei que sou fã e ele bateu foto com
todo mundo, como uma pessoa normal. Isso que é o mais bacana nele.
O
que é preciso para se tornar uma boa surfista?
Tem que querer, vontade
de dar um aéreo, fazer manobras. E saber que Deus está sempre
ao lado para te ajudar. Acho que é isso, tem que ter força
de vontade e saber o que quer.
 |
|
Silvana
na última etapa do SuperSurf
na Praia de Itaúna, em Saquarema (RJ) |
Qual
é a melhor e a pior coisa de estar sempre viajando para as competições?
A mais chata é
quando viajo para fora e tenho que carregar prancha de um lado pra outro,
sozinha. Sobe e desce escada em aeroporto. Tem que levar a mala e a prancha,
aí tudo atrasa e eu chego no avião suada. Mas o melhor de
tudo é conhecer pessoas e estar sempre em um lugar novo para competir.
O
que você faz para manter a forma e o condicionamento físico?
Tem que comer muita salada
e muita fruta. No Ceará, eu nem fazia isso. Minha mãe cozinhava
um monte de coisa, mas cheguei aqui os técnicos me colocaram em
outra rotina. Comecei a comer mais salada, frango e beber muito líquido.
Como macarrão paa dar massa e tenho salada sempre ao lado. Além
de malhar 40 minutos na esteira, fazer exercícios de perna e braço
e nadar.
Você
pratica outro esporte de prancha?
Só o surf.
Você
tem namorado?
Não. O lado de
estar sempre viajando atrapalha. Se você tem um namorado, ele fica
aqui e você vai. Fica complicado, ele não confia tanto, porque
você chega a passar dois meses fora. Eu tenho que seguir o que eu
quero, não penso muito nisso.
|
 |
A
campeã do SuperSurf 2004
Silvana Lima
comemora ao lado das
terceiras colocadas
Taís de Almeida
e Suelen Naraisa e da
vice - campeã
Andréa Lopes |
Qual
o lugar mais interessante em que você já esteve?
Havaí. São
as maiores e mais perfeitas ondas. O lugar é só surf. Você
entra e já tem aquela pressão de que lá tem ondas
grandes. Cheguei e pensei "É isso mesmo que todo mundo fala,
é verdade."
Como
é seu dia-a dia? Correria total?
Tranqüilo, tenho
treinamento das 7 às 10 da manhã, na praia. Faço
um lanche, academia e durmo cedo. Quando tem competição,
muda o psicológico, eu fico mais concentrada.
Que
tipo de som você ouve quando está em casa?
Escuto Rappa, Detonautas,
Charlie Brown Jr., CPM 22. Estilo de surfe mesmo. Mas gosto mais de assistir
televisão quando estou em casa. Assisto filmes de surf.
Qual
o seu maior medo? E o seu maior sonho?
Meu maior medo é
perder minha mãe, não sei o que vai acontecer comigo sem
ela. O sonho que eu tenho, que eu penso toda hora, é ser campeã
brasileira. A Suelen Naraisa está bem e isso complica um pouco.
O sonho número um, com certeza, é ser campeã mundial.
 |
|
Grandes
campeões do SuperSurf
no
pódio: Silvana Lima
e Renato Galvão |
Qual
a situação do surf feminino hoje no Brasil?
O Surf está crescendo
muito e muito rápido. Estão aparecendo muitas empresas para
dar uma força. Não é só a gente que tem que
ter força de vontade, as empresas têm que ajudar. Tem que
ter gente do lado, porque precisamos de apoio. Nós queremos que
cresça mais, mas está longe do nível masculino. Tem
muito surfista homem bom também. Mas acho que a gente chega lá,
nada é impossível.
Qual
a diferença em competir aqui no Brasil e em campeonatos como o
SG Queen of Surf e o WQS - World Qualifying Series?
O que muda é que
as meninas lá têm um nível bem mais forte, parecido
com o meu. Foi uma experiência boa, foi show. Eu vi que estou bem
e começou a surgir o pensamento de ser campeã mundial.
Qual
a sua expectativa para a final do SuperSurf, nos dias 13 a 17 de outubro,
em Saquarema, no Rio? Você tem alguma carta na manga? (A entrevista
foi feita uma semana antes da final. Silvana Lima ficou em primeiro lugar
na última etapa em Saquarema garantindo o título brasileiro).
Carta na manga é
Deus estar no meu lado. Vou para ser campeã, mas, se não
for pra ser campeã esse, ano serei no outro. Estou batalhando para
ganhar, seja o que Deus quiser. Vamos ver o que vai dar.
|