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foto: Carolina Valim
Mariana Martins:
a carioca abre um belo
sorriso na melhor fase
de sua carreira
MARIANA MARTINS
Inesperadamente, a bela moça carioca resolveu levar a sério o wakeboard. Quebrou o pé duas vezes e rompeu o ligamento do joelho. Mesmo assim, ganhou o Campeonato Brasileiro em 2001 e 2003. Este ano, a wakeboarder, de 27 anos, garantiu o tricampeonato em Igaratá, São Paulo, mesmo com chances reduzidas de vitória. Simpática à imprensa, Mariana hoje é patrocinada pela Reef, Red Bull, Rip Curl e Wake na Veia e é grande referência para a nova geração do esporte. Aqui ela conta mais detalhes sobre esses 5 anos de wakeboard

Por: Josie Moraes
Fotos: Arquivo Pessoal
Publicado em: 11/2004

Quando e como foi sua iniciação no wakeboard?
Há mais ou menos cinco anos atrás eu e meu irmão ganhamos um bote de borracha em Angra. Como era muito pequeno e não dava pra ir pras ilhas, a gente resolveu comprar uma prancha pra aproveitar melhor o nosso "presente". A partir do primeiro dia que eu fiquei em pé eu fiquei viciada e não parei mais.

foto: Gilberto Marques /FOTOCOM.NET
A atlela aposta em manobras radicais
para as melhores notas possíveis

Como foi ter sido a primeira brasileira a disputar o Campeonato Mundial na categoria profissional em 2003?
Foi uma ótima experiência, super estimulante. As meninas lá foram andam muito bem e estão evoluindo muito rápido, mas ter participado do mundial foi bom pra ver que dá pra chegar perto do nível delas, não é nada impossível.

Quais são seus títulos e qual é o mais significativo?
Campeã Latino Americana 1999 e Campeã Brasileira 2001 e 2003. O mais significativo é o meu primeiro título de campeã brasileira, em 2001. Eu queria muito esse título e um mês antes da final descobri que estava como o ligamento do joelho rompido. Eu estava empatada com a segunda colocada e a colocação da etapa final era decisiva. Não acreditei quando completei minha passada que incluía uma das manobras mais difíceis que eu sei fazer, que é um 540, e vi todos os meninos no barco comemorando. Realmente esse dia foi inesquecível pra mim.

Como você conseguiu esses patrocínios?
Correndo muito atrás. É difícil conseguir patrocínio no Brasil.

foto: divulgação
"O momento mais importante acho
que foi a final do Brasileiro em
2001, quando eu estava com o
ligamento rompido e percebi que
isso não seria obstáculo"

Por que?
Não sei exatamente qual o motivo, mas acho que o Brasil ainda não tem muito essa cultura de patrocinar esportes e atletas que não sejam olímpicos. Aos poucos eu percebo que isso está mudando e na medida que isso for acontecendo os outros esportes vão ganhando mais espaço. Acho que a tendência é essa.

Como é seu dia-a-dia?
Eu não tenho muita rotina, viajo muito. Quando estou em casa aproveito para cuidar do meu joelho, malho bastante, faço dieta e ando o máximo de wake que eu consigo.

Você ficou 8 meses parada por causa de uma operação no joelho esquerdo. Como foi isso?
É muito ruim se machucar. Além de doer muito, tem a ansiedade de não poder fazer exercícios e não ter certeza se vai ficar 100% ou não. Levei minha operação super a sério e principalmente a fisioterapia, ter respeitado os prazos que minha fisioterapeuta me deu foi essencial pro meu joelho ficar bom de novo. Hoje em dia não tenho mais problemas.

foto: Carolina Valim
Ao lado de  Joana Marques e Camila
Fidalgo,  Mariana recebe o prêmio de
tricampeã brasileira de wake 2004

Qual a maior dificuldade que encontrou nesses anos de carreira? E qual o momento mais importante?
A maior dificuldade foram os machucados. Quebrei o pé duas vezes e operei o joelho duas vezes. Isso é horrível, porque tira a confiança totalmente. Dá medo de ir alto e de tentar coisas novas depois de um machucado. O momento mais importante acho que foi a final do Brasileiro em 2001, quando eu estava com o ligamento rompido e percebi que isso não seria obstáculo para nada.

Você conseguiu o tricampeonato no último Campeonato Brasileiro de Wakeboard mesmo com chances reduzidas. A que você atribuí essa vitória?
Foi muito engraçado, porque eu nem sabia que tinha chances de ser campeã do Circuito, eu pensava que não tinha mais jeito. Meia hora antes de entrar na água, a ESPN fez uma entrevista com todas as meninas e eu descobri que se ficasse em primeiro lugar eu teria grandes chances. Então me concentrei, fiz uma passada boa e inteligente e acabou rolando... Foi um pouco inesperado, por isso foi tão legal.

foto: Gilberto Marques/fotocom.net
A wakeboarder na Represa de
Guarapiranga, São Paulo.
Ótimo lugar para treinos

Quais são as dicas essenciais para quem está começando no esporte. Quais os picos mais indicados no Brasil para praticar wakeboard?
Para quem está começando eu acho muito legal procurar um professor, pois você aprende da maneira certa, sem vícios e evolui muito mais rápido. Aqui no Rio tem o Greg que é ótimo, o telefone dele é (21) 9961-0817. Em São Paulo tem dois professores muito bons, que são o Dedé (11) 9659-2590 e o Marreco (11) 8187-8072.

Hoje, você é referência para meninas que começam no wake. Mas quem são as suas referências?
Minhas maiores referências atualmente são as minhas amigas que estão andando super bem: Andrea Fountain, da Nova Zelândia; Robi Rendo, da Argentina; e Louise Moore, da Inglaterra. Várias vezes quando eu estou fazendo minha session eu penso nelas andando. Me inspiro também nas meninas americanas, que estão em um nível bastante acima do meu ainda: Melissa Marquardt, Leslie Kent e Dallas Friday. Elas quebram tudo! Tem muita menina boa hoje em dia.

foto: divulgação
Mariana começou no wake há 5 anos.
Em 1999 foi Campeã Latino Americana

Você viaja muito devido aos campeonatos que participa, qual o lugar mais interessante que já esteve?
Achei Manaus muito legal. É uma pena que quando tem campeonato a gente acaba ficando o dia todo na competição e nem consegue conhecer bem os lugares, mas com certeza gostaria de voltar lá.

Quais os projetos para o futuro?
Aprender muitas manobras novas e chegar no nível das gringas, minhas amigas "inspiradoras"! Portanto, continuar andando muito de wake e participar de todos os campeonatos possíveis. Também gostaria de construir mais obstáculos, aqui no Rio e em São Paulo. Eles são fundamentais para evolução do wake hoje em dia, além de ser em muito divertidos.

 
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