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O wakeboarder Mario Manzolli tem 33 anos e uma coleção de títulos, como os quatro brasileiros e o terceiro lugar na etapa Latino-Americana do X-Games 2002, que rolou no Rio de Janeiro. Marito acredita que o esporte tem como base a diversão e, se um dia se vir na obrigação de ter que competir, tudo perderá a graça. Acompanhe aqui uma entrevista exclusiva com um dos melhores wakeboarders do Brasil

Por: Redação BS
Fotos: André Durão
Publicado em: 08/2006

 

Evolução do esporte

Como o wakeboard mudou desde seu surgimento?
A raiz é o surf. Em dias sem ondas, os surfistas pegavam um cabo, amarravam em uma lancha e iam brincando com a prancha de surf atrás. Aí o esporte foi evoluindo, mas com as próprias manobras e batidas do surf. Um dia tiveram a idéia de colocar sandálias na prancha para os pés e surgiram os pulos. E nessa hora, quando aumentaram os aéreos, o esporte começou a ter mais influência do snowboard e do skate, porque as manobras têm muito mais a ver, como o corrimão e as rampas.

Em 1999 as regras do esporte sofrem algumas mudanças. Qual é a importância disso para o wakeboard?
Foi fundamental. No começo, as pessoas não conseguiam perceber que o wake não tem nada a ver com o esqui-aquático, então as regras acabavam sendo parecidas. E a forma como as manobras eram julgadas não tinha nada a ver com a realidade do esporte. Cada manobra valia pontos determinados. O atleta tinha que fazer aquelas manobras e, se completasse o circuito, ganhava os pontos. Mas que importa no wake não é fazer as manobras que mandam. Você tem que fazer o que quiser, na hora que quiser, ser criativo, ir alto. Em 1999 as regras mudaram: nenhuma manobra tem ponto, e o critério é muito mais parecido com o surf, onde a sua bateria é comparada com a dos outros competidores. Hoje a gente estimula a qualidade das manobras e não a quantidade. E isso melhorou muito o esporte.

O que é preciso para se tornar um praticante?
Qualquer jet-ski ou lancha puxa uma prancha de wake. Se você não tiver acesso a nenhuma embarcação, vale ir a uma escola. Depois é só comprar uma prancha usada ou pegar emprestado de um amigo. É muito fácil de aprender, principalmente se alguém que já sabe andar te ensinar. Ver um profissional praticando pode parecer difícil, mas dá para ficar em pé e sair andando logo na primeira aula. Acho muito mais fácil do que o surf.

Quais são os atletas da nova geração que prometem arrebentar no esporte?
Na minha opinião, o paulista Luciano Rondi Neto, de 17 anos, é a maior promessa. Ele tem talento, tem evoluído rápido e ido bem nos campeonatos, além de ser muito incentivado pelos pais. É importante lembrar que tem atleta que é bom, mas não consegue mandar bem em campeonato e acaba dando muito retorno em vídeos, reportagens. O Marreco é hoje o maior atleta brasileiro, e eu acho que o Neto vai ser o próximo. Entre as mulheres, a Mariana Martins é a melhor. O Brasil já teve algumas meninas que se mostraram promessas, mas que acabaram largando as competições.

 

Biografia

Como você conheceu o wakeboard?
Desde criança eu esquio, mas nunca me interessei pelo esqui-aquático. Um dia, um amigo meu me mostrou o wake e nunca mais parei de praticar. Isso foi ao mesmo tempo em que comecei a praticar o surf. Hoje, quando tem onda vou para a praia, ou senão vou fazer wake. Comecei a praticar direto em 1998, e fui bem para um estreante, me senti incentivado a melhorar e treinar mais. Em 2001, fui campeão brasileiro pela primeira vez. Segui campeão em 2003, 2004 e 2005. Esse ano, pretendo continuar treinando, competindo e dando trabalho para os bem mais novos do que eu – sou dez anos mais velho do que o segundo mais velho da categoria.

E o que você mais gosta no esporte?
O wakeboard é um esporte extremamente social e a sua base é a diversão. Uma competição, para mim, é conseqüência de sempre praticar, me divertir com os amigos e confraternizar com a galera. Se um dia eu me vir na obrigação de ter que competir, vai perder a graça.

Onde você treina?
Geralmente na Represa Guarapiranga, em São Paulo, que é a minha base. O Estado de São Paulo é privilegiado. Perto da capital há muita represa boa, quente o ano inteiro, com água limpa e protegida do vento. Um lugar muito especial no Brasil é Manaus, para andar perto da Floresta.

Qual a manobra que você mais curte?
Gosto muito de manobras em corrimão. Hoje quero melhorar as manobras mais básicas, em vez das mais complicadas, e fazer o básico com mais controle e estilo.

 
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