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no pódio do Oxbow |
Sangue de campeão
Filho de campeões no esporte, Phil Rajzman mostra
sua força em outra praia: é o único brasileiro vencedor
de uma etapa do World Longboard Tour
Por: Gabriele Lomba
Fotos: Divulgação
Publicado em: 06/2003
O amor pelo esporte corre nas veias do carioca Phil Rajzman. Aos 20 anos,
ele já experimentou mais de 13 modalidades esportivas, da equitação
ao jiu-jitsu, passando por ginástica olímpica e automobilismo.
Mas, diferentemente do pai, o ex-jogador de vôlei Bernard, e da
mãe, a ex-patinadora Michelle Wollens, ele se encontrou nas praias.
Optou pelo surfe e, no mês de maio, em Maresias (SP), tornou-se
o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do World Longboard Tour (WLT),
o Circuito Mundial de longboard profissional.
Phil sempre dividiu o amor pela água com outras atividades esportivas.
Aprendeu os esportes dos pais: patinou na infância e teve uma passagem
rápida pelas quadras de vôlei do Flamengo, que chegou a federá-lo
como atleta do clube. Abandonou os treinos pela cobrança dos treinadores:
"Eles queriam que eu tivesse o mesmo desempenho do meu pai"
(medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1884, hoje deputado estadual
do Rio de Janeiro), conta Phil.
Resolveu então seguir seu coração, que batia mais
forte pelo surfe. Deu os primeiros passos sobre uma prancha aos seis anos
de idade. O professor? Ninguém menos que Rico de Souza, lenda viva
do surfe brasileiro. Foi ele quem incentivou o menino, aos 15 anos, a
seguir de vez no longboard. Rico, aliás, é seu segundo pai
e grande ídolo no esporte. Foi com ele que Phil conheceu o Havaí
pela primeira vez, aos 14 anos. Foi ele também que o levou para
disputa do primeiro campeonato mundial, em 1998.
O Havaí é sua segunda casa. Vai para lá nas férias
da faculdade e sonha com o dia que poderá comprar uma casa no paraíso.
Lá, vai obtendo o reconhecimento dos estrangeiros, que às
vezes se surpreendem ao saber sua nacionalidade. Neto de poloneses e belgas,
Phil chama atenção pelos traços típicos europeus.
Confessa que às vezes é confundido com estrangeiros, principalmente
pelo nome, de origem norte-americana.
Enquanto não realiza seu sonho de morar no paraíso, Phil
vive numa casa na Barra da Tijuca e, quando não está surfando
no Postinho, malhando ou estudando, ele se diverte como DJ em uma boate
montada em seu próprio quarto.
Sangue polonês, belga e brasileiro... A mistura fez de Phil um
atleta com sangue de campeão. Como os grandes heróis esportivos,
aprendeu a lidar com as dificuldades e a encontrar nas adversidades uma
força a mais para se superar.
"Aprendi com meu pai a superar os desafios. Ele gostava de jogar
com a torcida contra, pois dava mais força de vontade para vencer."
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| entrevista
para a ESPN |
entre a pranchinha
e o pranchão
A versatilidade é tamanha que, mesmo no surfe, Phil não
se limita a um estilo. Dependendo de onde estiver e, principalmente, de
como o mar estiver, troca seu longboard de quase três metros por
uma pranchinha. É o único longboarder brasileiro a correr
o Circuito Mundial de pranchinha.
Até os 15 anos o longboard era uma opção nos dias
em que o mar estava pequeno. Foi quando Rico o convenceu a participar
de um campeonato de escolinhas. Phil chegou à final e ficou em
terceiro, perdendo para o próprio Rico e para Carlos Mudinho.
Dois anos depois, Phil venceu o campeão mundial Joel Tudor no
Rio. A partir daí, viu que no longboard poderia ter melhores resultados
do que na pranchinha. Mas não deixou o surfe de lado. Neste ano,
disputou a etapa de abertura da Divisão de Acesso mundial (WQS),
em Fernando de Noronha.
"Uso as manobras radicais da pranchinha e o estilo clássico
do longboard", explica Phil. |