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Primo
Richard,
gêmeo de
Royal Richard no Mundial
de Paepo 2000 |
HANDBOARDING
E PAEPOBOARDING
Os paepos, nasceram em 1778, depois
a evolução das pranchas transformou
a prática do surf de peito em diversão
nas praias
de todo o mundo
Por: Kleiber
Fragoso
Foto: Cory Lum
Publicado em: 01/2005
Na década de 80, a moda era comprar a prancha de isopor no supermercado
Peg&Pag e correr para a praia para pegar um jacaré nas ondas
de Copa. Mas infelizmente, com pouco uso as alegrias boiavam em pedaços,
elas quebravam facilmente e como não tinha jeito. A maneira era
juntar o lado maior e voltar pro mar, mesmo que sobrasse apenas o bico.
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Rocket
de 1960 modelo
de Paepo/
Bellyboard
de
madeira
com 90 cm |
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Gravura: Arquivo Ben Finney
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Gravura
da Época de James Cook,
no Havaí em 1778 |
Sem saber, reproduzíamos a prática secular da realeza havaiana:
o paepoboarding, que é uma prancha feita de madeira com
comprimento de 3 a 7 pés e largura que varia de acordo com o peso
do nobre. As primeiras pranchas de paepoboardings datam épocas
remotas. Foram os primeiros dispositivos flutuantes usados ludicamente
no meio líquido. O próprio Capitão James Cook, em
1778 avistou muitos nativos brincando nas ondas com seus paepos.
Em Atos dos Apóstolos (27:37-44), escrito por Paulo (60 aC), há
um relato de um naufrágio no qual tiveram que cair no mar e nadar
até a ilha mais próxima, então Malta, situada ao
sul da Sicília: "O Centurião porém, querendo
salvar Paulo (...) ordenou que aqueles que pudessem nadar fossem os primeiros
a lançar-se ao mar (...) uns atingiram a terra em tábuas,
outros em cima de destroços do navio".

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Mike
Ka'wa, outro
competidor
em Point
Panic, Oahu e seu
estilo Slide |
O waterman e campeão olímpico, Duke Kahanamoku, além
de nadar no mar, surfar e surfar de peito, também caía com
seu paepoboarding, reproduzindo a tradição havaiana
dos antigos anciões. O embaixador do surfe levou até a Austrália
as diversas modalidades do surfe, o que balançou os Surf Life Saving
Clubs locais. Porém, em 1890, Tommy Tana, um nativo da ilha de
Vanuatu, foi um dos primeiros a demonstrar as suas habilidades sobre o
poder das ondas, surfando de peito em Manly Beach. Seu estilo foi copiado
e estudado por diversos nadadores, entre eles Eric Moore, Arthur Lowe
e Freddie Williams, este último se tornou um grande mestre neste
esporte.
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Foto: Arquivo Bishop Museum
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Ano
de 1900 um nativo
com
seu paepo em Waikiki |
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Cartão
postal de 1905 com um
bodysurfer em Manly Beach |
Além do peso do paepoboard (15 quilos em média)
se algum nadador surgisse na linha de frente a chance de um desvio era
quase nula. Os estilos de surf em paepos variam de acordo com a
criatividade do surfista, como levantar os braços ou as pernas
entre outras performances inusitadas. Assim, os adeptos inventaram um
novo dispositivo, mais leve e compacto e de fácil manobrabilidade
e radicalidade de estilos. Então, nasce a rocket, uma pranchinha
de mão de 70cm, feita de madeira com duas pequenas quilhas nas
extremidades da parte inferior. Até então atividade tipicamente
masculina, o sucesso das rocketsboards atraiu mulheres e lotou
as praias da costa leste australiana.
Já na década de 70, uma nova revolução gera
um frenesi naqueles balneários .O handsurf, pranchinha de
mão, é lançado. Mas a novidade é que a prancha
era feita de plástico rijo e duas correias para ser preso a uma
das mãos. Pesando menos de 200 gramas e com uma única quilha,
a moda tomou novo rumo entre os bodysurfers e paepoboaders.
Surge uma nova modalidade: o handboarding. Porém, pranchinhas
de mão já eram usadas há muito tempo em todo o no
arquipélago havaiano, principalmente entre as crianças que
usavam os restos de pranchas quebradas para terem algum tipo de auxílio
no mar.
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Os
jovens Joe Jack
e Quigg Severson
com seus
paepo em 1932 |
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foto: Cory Lum (Honolulu Advertiser)
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Os
Paepo boarders e seus
distintos
tamanhos e shapes (esq)
Kaleo Garlasa,
Barry Holt,
Jarrett Liu, Mike Kliks,
Primo Richard and Kale Keahi
no
Mundial de Paepo 2000 |
No Brasil - os chamados, hoje, de palmares eram conhecidos como madeirites
e tinham tamanhos diversos desde as típicas dimensões do paeposboards como da pequena handsurf. Entre 1940 e 1960,
nas praias do Leblon, Arpoador, Copacabana e também nas praias
do Guarujá, nadadores apinhavam-se em dias ensolarados de verão
"pegando jacaré". Com ou sem prancha, boiar no mar esperando
por uma onda era considerado como "jacaré".
Em 1973, Tom Morey iniciou outra revolução entre os banhistas,
lançou o morey boogie, cujo modelo era a 139 Rainbow bastante flexível que até dobrava, mas não quebrava!
Porém, só na década de 80 as morey boogies pousaram
de vez nos litorais brazucas. Uma nova febre mexeu com os bodysurfers,
aquela pranchinha fazia manobras mais rápidas e ainda era possível
boiar um pouco para descansar depois de um caldo forte. Em 1982, acontece
a primeira versão do Bodyboarding Pipeline Master. Os corpulentos
havaianos também têm hoje uma variação, chamada bellyboard (belly = barriga), um pouco mais larga, densa e com
alças para pesos acima dos 120 quilos.
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Kerry
Gilbert no mundial
de
Handboarding de
2001,
em
Point Panic
com
seu estilo Hidrofoil |
Em 1988, uma associação carioca de surfe de peito, realizou
o primeiro registro da modalidade num órgão desportivo do
governo, antes que o próprio surfe. O Surfe de Peito como um esporte
é definido como a prática de nado no mar com ondas sem o
auxílio de dispositivos flutuantes. Por algum tempo os demais adeptos
foram renegados. Foi aí que ressurgiram os defensores do surfe
de palmar, handboarding ou mesmo uma corruptela da pranchinha australiana
- o handsurf, como denominam hoje os alagoanos.
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Michael
Kliks PHD
competindo no mundial
de Handboarding 2001,
em Point Panic |
Royal Redwings Richard, herdeiro de uma nobre família havaiana,
por décadas manteve suas tradições surfando com o paepoboard que ele mesmo fazia. Na virada do milênio, Royal
Richard faleceu. Em sua homenagem, amigos e familiares organizaram um
evento em nível mundial - o Redwings Memorial World Championship
Handboarding Contest, no conhecido pico de Point Panic, próximo
ao canal que o separa da praia de Waikiki, em Oahu.
Aloha e boas ondas!
Kleiber Fragoso é fundador do site da comunidade
brasileira dos surfistas de peito (www.surfedepeito.com.br)
e diretor de Comunicação social da Associação
Brasileira de Bodysurfers - ABBS.
Mais informção sobre Handboarding e
Paepo boarding:
www.redwingsmemorial.com |